segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Como um social-democrata (independente) viu as "primárias" no PS/Santo Tirso

Com este artigo corro sérios riscos, mas isso nunca foi coisa que me tirasse o sono. De contrário, nunca teria tido a coragem (pois é disso que se trata) de ter sido colunista do Jornal de Santo Thyrso durante vários anos, até que "alguém" se cansou das minhas crónicas: Ou, agora, quando continuo a exercer gratuitamente o meu direito de cidadania, escrevendo em jornais locais como o "Entre Margens" ou o "Notícias do vale", com o objectivo de contribuir para um concelho de Santo Tirso melhor.
Há quem goste e quem não goste. Em democracia costuma ser assim. O que é inaceitável é a censura, nas suas diversas maneiras. Posso bem com todas elas, mas confrange-me que alguns achem que não posso ter opinião sobre isto ou aquilo, porque ocupo este ou aquele lugar.
A esses, poucos, digo o seguinte: o meu direito à opinião é inalienável, doa a quem doer, esteja onde estiver. Como disse um dia Jorge Coelho, ex-ministro do PS, actual manda-chuva da Mota-Engil, "habituem-se" e "façam o favor de ser felizes" (Solnado dixit).
Passemos à frente. As eleições primárias no PS/Santo Tirso merecem uma reflexão profunda. De todos. Pelos vários sinais que produziram e pelas lições que nos dão para o futuro. A primeira lição é uma lição de humildade. 
Joaquim Couto foi presidente da CM de Santo Tirso quase duas décadas. Depois ocupou alguns cargos políticos de relevo, dentro e fora do PS. Aceitou uma disputa eleitoral, em Gaia, que sabia que ia perder com estrondo. Perdeu mas ocupou o cargo de vereador, com dignidade e responsabilidade.
A segunda lição é de coragem. Uma qualidade rara na política. Apoiante de António José Seguro, Joaquim Couto podia tranquilamente regressar ao Parlamento. Mas não, assumiu um combate difícil na concelhia do PS, que perdeu para o actual presidente da câmara. Aceitou a derrota e preparou a desforra.
Independentemente das decisões jurisdicionais que venham a ser tomadas, Joaquim Couto ganhou o direito a ser o candidato do PS à Câmara de Santo Tirso, nas eleições autárquicas de 2013. Foi o combate da sua vida.
A terceira lição é de democracia. A vitória de Joaquim Couto nas "primárias" socialistas de Santo Tirso deve orgulhar todos os socialistas do concelho. Ela representou a vitória da democracia sobre a arrogância ditatorial. A vitória do pensamento livre sobre os "diktats" de quem manda. A vitória da liberdade sobre a obediência cega. Os partidos, às vezes, regeneram-se!

Pedro Fonseca
Presidente da Associação Cívica
"AMAR Santo Tirso"


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Uma noite em Monte Córdova


Pergunta: O que fazem, numa noite fria, algumas dezenas de pessoas reunidas nas instalações de uma associação humanitária de uma pequena freguesia rural do interior de Santo Tirso? Resposta: Debatem, trocam ideias e experiências, confrontam argumentos, esclarecem, propõem, interrogam, respondem. Em síntese: praticam a cidadania.
Os que estão a começar a ler este artigo devem pensar que se trata de um texto de ficção. Estão errados. Aconteceu mesmo. Na passada segunda-feira, em Monte Córdova, numa iniciativa promovida pela associação cívica “AMAR SANTO TIRSO”, inserida no Ciclo de Conferências “Santo Tirso, que futuro? – Uma estratégia de desenvolvimento para a próxima década”.
É certo que o tema era actual e aliciante, “Economia Local e Economia Social”, e o painel de luxo – drª Gilda Torrão, directora-geral da ASAS Santo Tirso, e profª Maria José Abreu, da Universidade do Minho -, mas isso geralmente de pouco vale quando não existe “trade off”, e quem vai só aparece por “amor à camisola”, e como isso está em desuso…
Se não andasse nisto há muito tempo e não soubesse ler todos os sinais, mesmo os mais imperceptíveis, tinha ficado comovido (não no sentido emocional, mas no de inesperado) com tanta gente (sim, tanta gente) que se predispôs a percorrer dezenas de quilómetros por montes em noite de breu.
Decisores políticos, homens e mulheres que têm sucesso na sua actividade profissional e, por isso, são criteriosos nas suas opções públicas, mostraram à saciedade que a sociedade civil de Santo Tirso tem uma enorme vitalidade.
Há gente que tem ideias e as expõe com dessasombro, há gente mais discreta que participa, observa e regista. Há gente com tanto valor que gosta de passar despercebida, como o Sr. Américo Freitas, presidente da Direcção da Associação de Solidariedade Humanitária de Monte Córdova, onde decorreu a sessão, e que estava feliz da vida por, pela primeira vez, terem “descoberto” esta instituição. O meu muito obrigado a ele pelo trabalho notável e por ter aguentado estoicamente até à uma da manhã. Seis horas depois, disse-nos, tinha de estar de novo ali.
Mais do que estas palavras, vão falar por si as fotos e o vídeo da sessão que nos próximos dias vamos partilhar com todos. Para memória futura fica o testemunho dos que puderam e quiseram estar no dia 6 de novembro de 2012 em Monte Córdova.
Um dia que não foi escolhido por acaso, porque foi a 6 de novembro de 907 que ali nasceu o Conde S. Rosendo, uma das grandes figuras da Igreja ibérica, mas cujo facto é ignorado no “site” da Junta de Freguesia de Monte Córdova. Espero que este alerta ajude a mudar alguma coisa!

Post-Scriptum: Notáveis as intervenções da drª Gilda Torrão, sobre o cada vez mais importante sector social, e da profª Maria José Abreu, sobre a indústria têxtil. Mas, se calhar, vamos ter de voltar a Monte Córdova para debater ideias, propostas e soluções para potenciar e valorizar a sua enorme riqueza natural, paisagística, histórica, e colocá-la ao serviço do turismo como forma de reanimar o comércio local. Monte Córdova, outrora designada a “Suíça” de Santo Tirso, merece um futuro melhor.

Pedro Fonseca
Presidente da "AMAR SANTO TIRSO"

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Liberdade e Democracia


Com algumas adaptações e actualizações, publiquei este artigo no passado dia 25 de outubro, no jornal "Notícias do Vale".
No seu aclamado livro "A riqueza e a pobreza das nações", David Landes questionava-se sobre o que faz uma nação ser rica e outra pobre, uma ser vencedora e outra perdedora, uma estar em ascensão e outra em queda. Conclusão: quanto mais liberdade e democracia existir numa nação, mais ela prospera. É nisso que apostamos.
Vem isto a propósito de uma série de conferências que a Associação Cívica "AMAR SANTO TIRSO" está a organizar. A importância deste ciclo de conferências, subordinado ao título "Santo Tirso, que futuro? - Uma estratégia de desenvolvimento para a próxima década" não está dependente da maior ou menor mobilização de pessoas que venham assistir a cada uma das sessões, nem da maior ou menor "espectacularidade" dos nomes constantes dos painéis de oradores.
A importância (ou falta dela) residirá apenas e só naquilo que frutificar das sementes que estamos a lançar para a terra. Estamos convencidos, eu estou convencido, até prova em contrário, que Santo Tirso é terra fértil e produtiva. Muitas destas sementes vão dar fortes raízes, troncos robustos, árvores frondosas e frutos saborosos.
A "AMAR Santo Tirso" é uma associação cívica, independente, apartidária e sem fins lucrativos. Quero sublinhar estas características e dizer mais: mais recebemos um tostão de qualquer entidade pública. Não recebemos, nem queremos receber. 
Queremos ser livres e independentes. O nosso objectivo, nestes 2 anos que levamos de actividade, é promover o debate de ideias sobre Santo Tirso. Estamos convictos que quanto mais gente envolvermos neste projecto, mais reforçado, mais desenvolvido, com mais qualidade de vida para as suas populações será Santo Tirso.
Temos um lastro histórico que nos garante um reconhecimento público de credibilidade. Organizamos conferências com nomes tão importantes como Manuel António Pina, António Souza-Cardozo, Mário Dorminsky. Na segunda-feira, em Monte Córdova, pelas 21.30, na Associação de Solidariedade Humanitária, temos prevista a conferência sobre "Economia Local e Economia Social", com a profª drª Maria José Abreu, da Universidade do Minho, e a drª Gilda Torrão, directora-geral da ASAS Santo Tirso, como oradoras.
Para este ciclo de conferências convocamos todos aqueles que querem participar num acto de cidadania em prol de um concelho mais forte. As nossas portas estão abertas a todos, de todos os quadrantes partidários e sem qualquer filiação partidária. O bem comum está sempre primeiro.

Pedro Fonseca
Presidente da Direcção
"AMAR SANTO TIRSO"

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Um debate crucial


No passado dia 27 de outubro, a associação cívica “AMAR SANTO TIRSO”, que tenho a honra de liderar, arrancou com um ciclo de conferências denominado “Santo Tirso, que futuro?” – Uma estratégia de desenvolvimento para a próxima década.
São 5 sessões temáticas que vão desde a Cultura e o Turismo, ao Desporto, à Educação, à Solidariedade Social. Começamos com um tema estrutural “PDM, Ordenamento do Território e Políticas Ambientais”.
As políticas de ordenamento territorial e ambiente são um instrumento de gestão política autárquica decisivo para promover uma qualidade de vida e um desenvolvimento económico e social harmonioso e sustentado.
Estratégias políticas erradas neste campo podem marcar negativamente o bem-estar de gerações. Esta é uma temática que deve envolver toda a sociedade civil tirsense. O que queremos que seja Santo Tirso nas próximas décadas?
Um concelho virado para o turismo? Uma renovada aposta na reindustrialização, nomeadamente da indústria têxtil? Um concelho (e uma cidade) que privilegia as suas acessibilidades, ao Porto, a Guimarães, a Braga, e investe na organização de congressos internacionais, fomentando assim o comércio, a restauração, a hotelaria, o turismo? Um concelho que exponencie a sua marca e a sua imagem com base numa estratégia cultural (e com isso arrastando também o turismo)? Um concelho que queira ser um local de primeira habitação de qualidade, e, assim, estimulando o investimento criador de empregos e riqueza? Um concelho que olhando para as suas grandes manchas agrícolas quer dotar as famílias das freguesias mais rurais de condições mais modernas e geradoras de maiores índices de rendimento familiar - investindo em infraestruturas que possam modernizar o trabalho no campo?
É este debate que temos de fazer urgentemente. Porque este é um debate crucial, incontornável e prioritário. Foi, por isso, com satisfação que assinalei as presenças nesta sessão dos presidentes de Junta de Freguesia de Santo Tirso, José Pedro Miranda (o anfitrião), de Vila das Aves, Carlos Valente, e de S. Martinho do Campo, Adelino Moreira. Eles sabem que a qualidade futura da nossa gestão pública, política e autárquica, passa por estarmos cada vez mais munidos da informação e das competências exigidas para os desafios cruciais que vamos defrontar.

Pedro Fonseca
Presidente da Direcção
Associação Cívica "AMAR SANTO TIRSO"

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Uma "crise de fé"

Confesso que ando à procura de explicações e de respostas. Preciso delas para poder encorpar um argumentário que seja consistente e credível. Eu sei como chegamos até aqui – essa é fácil. A última década foi um fartar vilanagem, e os últimos anos, conduzidos pelo emigrante parisiense, puseram o País à beira da catástrofe. 

A memória dos homens é curta mas os portugueses não são burros.
Agora é preciso sair daqui. Para isso, há compromissos e opções – o cerne da política. O que me parece é que os compromissos e as opções que estão a ser tomadas não são as mais correctas. E o que mais temo é que o Réu de Paris passe a arguido com atenuantes.

A continuar assim, é isso que vai acontecer. Nesta “crise de fé”, fui recordar o que significa social-democracia. Aproveito para aconselhar os verdadeiros social-democratas a fazer esse exercício, para não se deixarem enganar.

“A social-democracia moderna aposta na ideia de um Estado de bem-estar social democrático. Os sociais-democratas tentam reformar o capitalismo democraticamente através da regulação estatal e da criação de programas que diminuem ou eliminem as injustiças sociais inerentes ao capitalismo” – fonte: George Lefranc, in “Socialismo Reformista”.

Foi a defesa do Estado Social, da iniciativa privada, do indivíduo como elemento essencial da transformação da sociedade, e da regulação do mercado, como forma de impedir o livre arbítrio e o capitalismo selvagem, que esteve na génese do PSD.

É com esta cartilha que Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Eurico de Melo, fundam o PPD/PSD, dos pequenos e médios empresários e comerciantes, dos profissionais liberais e dos trabalhadores por conta de outrém, dos funcionários públicos e dos jovens agricultores, das domésticas e dos homens da lavoura. Um partido transversal à sociedade portuguesa. Temo que isso possa estar a mudar.

Post-Scriptum: Com a sua presença no órgão que vai decidir os processos autárquicos no distrito do Porto, Joaquim Couto é o cada vez mais certo candidato do PS em Santo Tirso.

Pedro Fonseca

(artigo publicado no jornal "Entre Margens", em 4 de outubro de 2012)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Eu, cidadão livre, me confesso

 
Adoptei a cidade de Santo Tirso há muitos anos. Ali passei a minha infância, adolescência e me formei como homem e cidadão. Fiz amigos, que mantenho ainda hoje. Entrado na vida adulta, após a licenciatura em Direito, ali comecei a trabalhar como advogado.

Santo Tirso sempre foi a minha casa. Durante estes anos, eu que estou com 45, vi sempre a cidade de perto. Olhei-a sempre de um modo desinteressado, que é a melhor maneira de lhe perceber os encantos e os defeitos.

Mais tarde, a vida fez-me conhecer melhor algumas das freguesias limítrofes. Gosto de olhar para as coisas de um lugar discreto, e de um modo anónimo. Por isso, nunca tive intervenção pública visível, nunca a procurei, nunca me seduziu.

Considero-me um cidadão livre, sem amarras partidárias e com nenhum interesse pela politiquice, para o que não tenho jeito nenhum. Dedicado à advocacia, nunca abandonei, porém, o meu posto de observação da cidade e do concelho. E fui formando opinião, sobre as coisas, sobre as pessoas, sobre as obras, os projectos, as mensagens, as ideias. Fui, à minha maneira, fazendo política. Para mim.

Sei que podia e devia ter tornado públicas as opiniões que fui formando. Não o fiz, nunca o fiz. Umas vezes por desinteresse, outras por negligência, a maior parte das vezes por achar que não me cabia a mim mudar o mundo, e o mundo é a nossa rua.

Há pouco mais de 2 anos, fui convidado por amigos de longa data para integrar a Associação Cívica "AMAR Santo Tirso". O projecto seduziu-me, os amigos eram - e são - de confiança e pensei: "Finalmente!". Nestes últimos 2 anos, senti que participei em algo de novo, de inovador e que pode mudar Santo Tirso para muito melhor.

Hoje, sinto que devo começar a tornar públicas as minhas opiniões. As que fui formando ao longo destes anos e as que vou exprimindo em privado no seio da associação. Os últimos 30 anos foram catastróficos para Santo Tirso: caímos para os últimos lugares em todos os "rankings" que nos dão qualidade de vida. Concelhos vizinhos que há 30 anos eram um sombra do que éramos, hoje têm tudo o que nós tínhamos e já não temos: espaços de cultura e lazer, equipamentos desportivos em qualidade e quantidade, investimento na economia local, gerador de emprego e riqueza, etc.

Esta minha opinião não é, estou certo, uma opinião isolada. É comungada por milhares e milhares de munícipes de Santo Tirso. Esta minha opinião é a de um homem livre, que apenas obedece à sua consciência.

Espero contribuir para que muitas outras vozes livres e independentes se juntem a esta minha voz. Santo Tirso precisa deste vento de mudança, para se projectar para um lugar cimeiro no concerto dos munícipios mais desenvolvidos. Viva a esperança!
 
Artur Abreu
Presidente da AG da "AMAR Santo Tirso"

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Os "putativos" candidatos

Por: Pedro Fonseca, presidente da associação cívica "AMAR Santo Tirso"


Uma notícia da agência noticiosa nacional – a Lusa – sobre “putativos candidatos” às eleições autárquicas de 2013 em Santo Tirso fez correr alguma tinta, muitos rumores e bastante intriga. Do lado do PS, os nomes avançados eram os de Joaquim Couto e Ana Maria Ferreira; do lado do PSD, os de Alírio Canceles, José Pedro Miranda e o meu próprio.
Ao contrário de todos os outros, destacados militantes dos partidos referidos, eu apareço como presidente da associação “AMAR Santo Tirso” – um independente. Já tenho suficiente experiência política para cortar cerce estratégias que apenas pretendem alimentar teorias da conspiração.

Nos últimos dias convoquei um jantar da “AMAR Santo Tirso”, onde estiveram presentes a esmagadora maioria dos seus sócios fundadores e outras pessoas que directa ou indirectamente tiveram ligações com a associação.

Nesse jantar sublinhei que a “AMAR Santo Tirso” era uma associação cívica e apartidária, pelo que nunca permitiria que fosse empurrada para o combate político-partidário. Não foi essa a sua génese, não foi esse o seu objectivo, não é essa a sua causa.

Nesse sentido, e face aos rumores e intrigas que a notícia da Lusa tinha provocado, manifestei a vontade de abandonar a liderança da associação, pondo assim cobro à especulação sobre as reais intenções da “AMAR Santo Tirso”.

Fiquei sensibilizado com o apoio, a confiança e a solidariedade manifestados pelos presentes. O que disse, fica aqui registado: não sou candidato a nada, mas não abdico dos meus direitos cívicos e políticos.

Não preciso de nenhuma guarda pretoriana para assumir qualquer tipo de intervenção pública. Faço-o há mais de 10 anos, em Santo Tirso, sem medo. Já sofri na pele por este tipo de voluntarismo, mas nunca abdicarei de exprimir a minha opinião, doe a quem doer.
Sou um social-democrata, porque sempre me revi no pensamento e na acção de homens como Francisco Sá Carneiro e Aníbal Cavaco Silva, expoentes dos princípios ideológicos e programáticos que defendo: Estado Social, reformismo, livre iniciativa, liberdade individual. Vejo no ex-primeiro-ministro sueco Olof Palme, referência incontornável da social-democracia moderna e progressista, um exemplo a seguir.
Mas o respeito que tenho pela opção legítima da militância não me impede de ver noutras áreas políticas gente com tanta ou mais capacidade do que aquela que às vezes identifico naqueles que estão do meu lado da barricada.
Santo Tirso precisa de todos. O PSD tem personalidades capazes de garantir um futuro melhor para o concelho pós-2013. Não porque Castro Fernandes apenas tenha feito coisas erradas. Não fez. Mas porque refém de lógicas partidárias, tomou as opções que melhor serviam essa estratégia. E o concelho perdeu.
Se o PSD não tiver entendido isso, não entendeu nada.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Eurico de Melo

Por: Pedro Fonseca, presidente da associação cívica "AMAR Santo Tirso"
Conheci o engº Eurico de Melo no final da década de 80. Era ele já uma figura de primeiro plano da vida política portuguesa e eu jornalista de um jornal especializado em temas económicos. Mais tarde, entrevistei-o várias vezes na qualidade de vice-primeiro-ministro, já como jornalista de política.
Alguns anos antes, Eurico de Melo tinha sido, segundo uma das versões mais credíveis, o “artesão” da vitória de Cavaco Silva no célebre congresso do PSD, na Figueira da Foz, início de uma caminhada que iria levá-lo a duas maiorias absolutas e o PSD a uma década de glória sem igual – Portugal nunca mais seria o mesmo.
Na política à portuguesa, do Norte para o País, só Francisco Sá Carneiro chegou mais alto que este tirsense vertical e confiável. Mas, Eurico de Melo nunca se deixou seduzir pela “Lisboa política”, dos salões e dos bares de hotel, das intrigas e do bas-fond.
Regressou sempre, quando pode, às origens e à terra natal, onde o reconhecimento nunca foi o devido e o merecido. Ganhou, é certo, o epíteto de vice-rei do Norte, mas Santo Tirso nunca lhe prestou a homenagem maior que o seu prestígio exigia.
Apesar de político de eleição, gostava do território familiar e das amenas cavaqueiras, em tertúlias de amigos no antigo café Kanimambo, em pleno centro da cidade. Gostava das coisas que gostam as pessoas simples e normais.
Vice primeiro-ministro, três vezes ministro em sucessivos governos, figura proeminente do PSD nos “anos de ouro” dos social-democratas, Eurico de Melo foi tudo isto e mais: num tempo em que a política em Portugal apenas colocava na primeira fila os mais capazes.
Santo Tirso tem agora a oportunidade única de colmatar uma lacuna imperdoável: dar o nome do engenheiro Eurico de Melo a uma área/equipamento de referência na cidade. Poucas semanas depois da inauguração com pompa e circunstância do passeio pedonal das margens do Ave, que liga a zona da estação velha (a precisar de requalificação) ao Parque Urbano da Rabada, é tempo da Câmara identificar este parque e este passeio com o nome de um dos nossos maiores.
Parque Urbano Engº Eurico de Melo / Passeio Pedonal Engº Eurico de Melo – eis uma toponímia que colherá, sem dúvida, a unanimidade. Cabe aos partidos com assento no executivo municipal (PS e PSD) tornar esta ideia uma realidade.
Post-Scriptum: Eu sei que o engº Eurico de Melo "dá" o seu nome ao auditório da Santa Casa da Misericórdia; e, se não me engano, a um espaço para crianças na Casa de Beneficência Dias Machado, em S. Martinho do Campo, mas o parque da Rabada e o passeio pedonal, até pelo sucesso que granjearam, precisam de uma identificação forte que deixe marcas para a posteridade.

Autárquicas 2013 em Santo Tirso

Porto, Portugal 11/02/2012 10:23 (LUSA)
Temas: Política, Eleições, Autoridades locais, Partidos e movimentos

Porto, 11 fev (Lusa) – A quase dois anos das autárquicas, a dança das cadeiras já começou em Santo Tirso para preparar a sucessão do socialista Castro Fernandes, que cumpre o seu último mandato, com vários nomes a serem indicados entre militantes do PS e PSD.
A limitação de mandatos veio dar o mote e os partidos aquecem os motores até à partida de 2013, altura em que 150 dos 308 presidentes de câmara estão impedidos de voltarem a candidatar-se: Castro Fernandes é um deles.
Após quatro mandatos, o socialista vai mesmo ter de abandonar a Câmara Municipal de Santo Tirso, abrindo a possibilidade a novos nomes e até a uma alternância partidária.
Do lado do próprio partido de Castro Fernandes, o ex-vereador de Gaia Joaquim Couto, que até já foi presidente da Câmara de Santo Tirso, admitiu recentemente estar disponível para voltar, acreditando ter “experiência e crédito político adquirido fora” de Santo Tirso, o que considera que pode “ser útil para o concelho”.
Joaquim Couto terá porém de aguardar pelas eleições para as concelhias socialistas, já anunciadas para abril, após o que pode ter de enfrentar a atual vice-presidente da câmara, Ana Maria Ferreira que, diz o ex-autarca, “tem estado a ser promovida pelo próprio presidente da câmara”.
A autarca, que admite saber que o seu “é um dos nomes falados” para suceder a Castro Fernandes, nega porém ser candidata, ainda que “não exclua” essa possibilidade, uma vez que “ao fim de 10 anos na vida autárquica não se devem fechar portas”.
E o que diz o PSD destas hipóteses? Gonçalves Afonso, fundador do partido em Santo Tirso, considera que Joaquim Couto “é uma figura passada e requentada e nada trará de novo” ao concelho.
Acredita mesmo que se esse for o candidato socialista, “o PSD terá grandes hipóteses de ganhar”, apoiando, para o efeito, o atual presidente da junta de freguesia de Santo Tirso José Pedro Miranda que, por seu turno, garante que não se irá candidatar.
“Quanto ao PSD de Santo Tirso não há dois, nem, três [candidatos]. Se formos falar em putativos há muitos, há vários”, afirmou à Lusa José Pedro Miranda que acredita “vivamente” numa vitória social-democrata na autarquia.
Alírio Canceles, recentemente eleito presidente da concelhia PSD, é um dos nomes possíveis, tendo à Lusa admitido estar “obviamente disponível” para se candidatar, caso o partido assim o queira.
“O nosso propósito é só um, reconquistar Santo Tirso 32 anos depois e mudar o paradigma de gestão que tem sido feito”, salientou o social-democrata, que prevê alguma “intensidade na luta interna do PS pela sucessão”.
E se a duplicação de nomes no PS pode criar dificuldades aos socialistas, o próprio PSD terá de ultrapassar a divergência de opiniões e a multiplicidade de hipóteses que até podem passar por independentes.
Pedro Fonseca, presidente da associação ‘Amar Santo Tirso’ e convidado em eleições anteriores para encabeçar os primeiros lugares do PSD à Assembleia Municipal, é também um “putativo candidato” que “tem feito um trabalho cívico e político meritório no concelho”, salienta Joaquim Couto. Já Gonçalves Afonso defende que “tecnicamente seria até a pessoa mais bem preparada”, mas admite que talvez não tenha o “acolhimento” necessário.
Os sociais-democratas terão, assim, de encontrar um “candidato galvanizador” que “possa conquistar algum espaço” aos socialistas, nem que para isso se tenha de coligar ao CDS, defende o fundador do PSD local, para quem o partido “dificilmente ganhará as eleições sozinho”.
Dentro do PS a confiança está em alta com Azuil Dinis, histórico do partido e primeiro presidente da câmara de Santo Tirso, a defender que os socialistas partem para estas eleições “em grande vantagem”, não só pela obra feita mas também porque “o facto de o PSD ser governo pode penalizá-lo nas autárquicas”.

LIL.

Lusa/fim

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Manuel António Pina

Manuel António Pina ganhou o Prémio Camões, o maior galardão literário de língua portuguesa. Porque é que dedico este meu espaço neste jornal ao jornalista, escritor e poeta nascido no Sabugal mas portuense por adopção?
Por três ordens de razões.
1 - Manuel António Pina é uma das poucas personalidades nortenhas com relevo, dimensão e reconhecimento nacional.Não é coisa pouca. Num país onde o centralismo do Terreiro do Paço exerce uma omnipresença sufocante, a existência de uma personalidade com o génio de Pina, vivendo pacata e discretamente algures em Azevedo (Porto), onde a ruralidade ainda resiste à cidade, é caso de assinalar.
É certo que ainda há Oliveira, o cineasta, e Souto Moura, o arquitecto agora também laureado, mas um e outro "perseguem" à sua maneira um qualquer registo para a posteridade. Pina, pelo contrário, assume o recolhimento não por soberba mas porque é um homem comum que foge dos holofotes, para melhor apreciar a vida e a companhia dos seus gatos;
2 - Por um daqueles felizes acasos do destino - para quem acredita neles -  convidei Manuel António Pina para orador de uma palestra organizada pela associação cívica "AMAR SANTO TIRSO", a que presido.
O convite foi saltando de data em data e de local em local. Até que tivemos a feliz ideia de envolver na iniciativa a Junta de Freguesia de Vila das Aves, tendo o seu presidente, Carlos Valente, colocado de imediato à disposição o Salão Nobre da Junta.
Em boa hora fizemos esta parceria. O Salão Nobre praticamente encheu para ouvir uma das últimas intervenções públicas daquele que seria alguns dias depois o Prémio Camões 2011. Naquela altura ninguém o imaginaria, nem o próprio, pois não Manuel António Pina?
A "AMAR SANTO TIRSO" fica assim indelevelmente ligada a esta importante consagração de um dos nossos maiores vultos culturais da actualidade;
3 - Conheço Manuel António Pina há 20 anos. Trabalhei vários anos com ele, lado a lado, no mesmo espaço. Já era então uma personalidade singular da nossa cultura. Já era um "nome", uma referência.
Nunca lhe vi um assomo de vedetismo; nunca lhe descortinei uma pose mais afectada. Pelo contrário, sempre foi um entre iguais, um como nós. E para isso também é preciso ter-se talento.

Pedro Fonseca
Presidente da Direcção
"AMAR SANTO TIRSO"

terça-feira, 26 de abril de 2011

A Liga dos Amigos do Hospital de Santo Tirso

Há poucas semanas, a Liga dos Amigos do Hospital de Santo Tirso celebrou 25 anos. Tive a grata oportunidade de estar presente no jantar comemorativo da data e pude constatar que esta é uma instituição emblemática do concelho.

Um quarto de século passado, a Liga granjeou um reconhecimento público difícil de igualar em Santo Tirso. Num concelho às vezes claustrofóbico e asfixiado por invejas mesquinhas, por jogos de interesses privados, por troca de benesses espúrias, a Liga soube sempre estar acima desse pântano e olhar sempre directo ao objectivo primeiro: ajudar quem mais precisa.

Não se julgue que é tarefa fácil. Muitas outras instituições de fins também nobres e dignos, sucumbiram à tentação de agradar ao poder autárquico, quando não ao poder partidário que o sustenta.
Era mais fácil à Liga ter ido por aí, bajular o poder e usufruir de algumas migalhas. Ficou claro que nunca o fez neste jantar de 25º aniversário, quando face ao que se comemorava seria incontornável a presença por inteiro do líder autárquico e não uma rápida e deselegante “visita de médico”, porque deveres partidários falavam mais alto.

Não cabe aqui fazer o “relatório e contas” da actividade da Liga e daquilo que já contribuiu para um hospital melhor e para uma melhor qualidade de vida de doentes, familiares e comunidade em geral.
Mas é inevitável falar e homenagear o seu corpo de voluntários, a espinha dorsal da sua actividade, que se rege por princípios éticos, de dedicação a uma causa que é uma causa maior da comunidade – estar presente junto dos enfermos, dos desvalidos, dos abandonados.
Este texto é apenas um testemunho de gratidão. Um testemunho de quem nunca precisou da Liga dos Amigos do Hospital de Santo Tirso, mas a quem também nada deu (mea-culpa). Este meu testemunho é, por isso, o de um tirsense livre e descomprometido com uma instituição de fazer bem e de bem fazer.
Nos últimos anos, o hospital de Santo Tirso, o nosso Hospital Conde S. Bento, passou por vicissitudes várias. O encerramento de alguns serviços nucleares, como a Maternidade, retirou-lhe importância distrital e regional, apesar da integração no denominado Centro Hospitalar do Médio Ave (Santo Tirso + Famalicão).
A Liga, porém, sempre soube estar acima das querelas político-partidárias. Em 25 anos, dois presidentes: o enfermeiro José Luís Martins, homem generoso e que marcou uma era, e o enfermeiro Fernando Marques, que projectou e dinamizou a instituição para melhor lidar com os novos desafios. Independentemente das suas simpatias e filiações partidárias, estes dois homens tiveram a grandeza de carácter para não olhar a vínculos de qualquer espécie.
Quando os tempos são de crise e de cortes generalizados, mais se faz sentir a importância de instituições altruístas como a Liga dos Amigos do Hospital de Santo Tirso. É nestes momentos que sabe a pouco a outorga de meras medalhas honoríficas ou encómios circunstanciais com que, à última hora, esperam branquear anos de esquecimento.
Pedro Fonseca
Presidente da Direcção
"AMAR SANTO TIRSO"


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

As associações tirsenses

Há alguns dias, a Associação “AMAR SANTO TIRSO” foi convidada para estar presente num encontro com o Bispo auxiliar do Porto, D. João Miranda. O convite era endereçado pelo Padre Celestino Ramos e, por isso, indeclinável.
Acresce que, a iniciativa tinha também o alto patrocínio do Dr. Azuíl Carneiro, um dos sócios fundadores da associação. Assim, eu e Rui Teixeira, vice-presidente da associação, marcamos presença no auditório do salão paroquial.
O espaço estava composto mas longe de estar cheio. Não sei se devido ao seleccionado número de associações convidadas; se pela falta de comparência de muitas; se pelo facto de as ausentes terem preferido o convívio com o primeiro-ministro José Sócrates, que à mesma hora estava na Câmara Municipal.
O Padre Celestino foi eloquente como sempre. Falou na importância da Igreja aproximar-se cada vez mais da sociedade civil, através das associações; conhecer, no terreno, o trabalho daqueles que suprem as lacunas do poder político.
D. João Miranda deu uma lição de grande humanidade e conhecimento. Na sua visão, a Igreja deve ser uma congregadora de esforços, de sinergias, de diferentes maneiras de se atingirem objectivos comuns. Factor de união, conciliadora, presente, disponível.
Exemplificou: os poderes políticos devem colaborar para poderem melhor servir as populações. Em tempo de Natal, disse, não faz sentido oferecerem-se cabazes de Natal às mesmas famílias. Um “recado/conselho” dirigido à Câmara, representada pela vereadora da acção social, e à Junta de Freguesia, na presença do seu presidente.
Também o Padre Celestino sublinhou, com o mesmo exemplo, a necessidade de uma melhor articulação entre estas entidades políticas.
Depois do Dr. Azuíl ter feito a apresentação da “sua” associação – Os Bombeiros “Vermelhos” – cada dirigente associativo presente usou da palavra. Fiquei deveras impressionado.
Santo Tirso tem um movimento associativo rico. Precisa, porventura, de mais colaboração e articulação entre todas as associações e não, como até aqui,  que cada uma reme para seu lado.
Foi para isso, afinal, que se fez este encontro. Está, assim, de parabéns o Padre Celestino pela feliz ideia e por ter contribuído para a presença de D. João Miranda. Espero que seja a primeira de muitas outras.
Post-Scriptum: A última edição da Folha Dominical trazia um artigo sobre este encontro. Quero agradecer ao autor a referência elogiosa à “AMAR SANTO TIRSO”.

Pedro Fonseca
Presidente da Direcção da Associação Cívica "AMAR SANTO TIRSO"

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Soluções são precisas

Tive há poucas horas conhecimento que um importante estabelecimento comercial (um restaurante), no centro de Santo Tirso, estava a ser objecto de uma “invasão” de credores acompanhados pelos respectivos advogados. Arresto e penhora de bens eram as palavras de ordem e, pelo que soube, a tensão era evidente.
Há dias, soube, também, que um outro restaurante, no centro de Santo Tirso, estava a passar por dificuldades. Recentemente, mais um restaurante, também no centro da cidade, fechou as portas.
Três casos, todos diferentes, todos iguais. Por respeito ao bom nome comercial não refiro os seus nomes. O que estes casos representam são apenas a ponta do icebergue. Com o acesso ao crédito fechado, com a subida exponencial das matérias-primas e com o agravamento dos custos operacionais (luz, gás, água, etc.), estas notícias nem sequer se podem dizer que são surpreendentes.
Mas, o que está na base desta grave situação é o trágico afundar das condições de vida das famílias. Com o poder de compra a recuar drasticamente, o corte nas despesas faz-se pelo mais evidente: menos almoços e jantares fora de casa.
Sem querer ser alarmista ou catastrofista, ainda estamos longe do pior. Santo Tirso, não me canso do o dizer (e escrevi-o vezes sem conta no “Jornal de Santo Thyrso” (JST) e continuo a escrevê-lo no jornal “Entre Margens” (EM)) tem de encontrar soluções para os milhares de desempregados que residem no concelho. E é aí que é necessária a intervenção do poder político autárquico.
Antes que haja uma explosão social, e como se vê as tensões já estão latentes, é preciso não nos distrairmos com o acessório. O essencial é lograr criar novos nichos de mercado que absorvam a faixa etária de desempregados entre os 40/50.
Escrevi-o, também, que uma das saídas (não a única, mas é um princípio) é uma aposta forte no artesanato de qualidade, nos produtos típicos da nossa região – com os jesuítas e o licor Singeverga à cabeça -, e no ambiente (avancei há muito tempo com a necessidade de reabilitação das margens do Ave).
O que não concebo nem aceito é que, a curto prazo, os espaços acima referenciados se tornem em outras lojas de pechisbeque (vulgo “lojas dos chineses”, sem qualquer carga xenófoba). Já basta o que está!
Pedro Fonseca
pm-fonseca@sapo.pt

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Anote, 7 de Dezembro

Mário Dorminsky foi o primeiro. Outros se seguirão. Em agenda já estão António Souza-Cardoso, empresário, e Manuel António Pina, escritor, poeta e jornalista. As tertúlias são assim, conversas entre bons conversadores. Ou bons contadores de histórias. Da vida real, de Portugal, da Europa e do Mundo. E do nosso concelho.
Foi pequeno o bar do Hotel Cidnay. Mas foi animada a noite (quase a entrar pela madrugada). Agora, venham mais 5, mais 50, mais 500 ou mais 5.000. Quem vier por bem, será bem-vindo. Para já, quem quiser começar a organizar a sua agenda para um Dezembro sempre complicado, anote: 7 de Dezembro - cartaz, hora e local a anunciar. Cative, desde já, este dia e não se vai arrepender.
Até lá, com a crise e o FMI, divirta-se. E, já agora, leia este "post" de José António Miranda, nosso associado fundador, no seu blogue (otirsense.blogspot.com). Viva Santo Tirso!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Parque D. Maria II

O tórrido calor que assolou o País neste Verão, traduziu-se num dilema para os tirsenses que não têm posses para ir para o Algarve, nem para as Caraíbas - e são cada vez mais: para onde fugir do calor? A resposta imediata devia ser: Parque D. Maria II. O problema é que poucos tirsenses elegem este magnífico espaço de lazer para desfrutarem, para relaxarem, para descansarem.
A culpa é de quem? Da gerência da Casa de Chá (uma nova gerência, porquê?)? De outras opções mais satisfatórias - jardim dos Carvalhais, Parque da Rabada...? Da falta de uma estratégia pensada, estruturada e concertada para devolver ao Parque D. Maria II a vida, o bulício, a animação, a alegria, que já teve?
De tudo um pouco. Fundamentalmente, é culpa de quem não entende que a solução para o Parque D. Maria II retornar aos bons velhos tempos não está em fazer intervenções pífias no próprio parque.
A solução está em olhar para o que existe em volta daquele espaço e perceber que sem mudar toda a filosofia e toda a lógica de ordenamento territorial que o circunda, este, por muitas intervenções físicas que sofra, porque muitas novas gerências que a Casa de Chá tenha, não deixará de ser aquilo que, infelizmente, é, há quase duas décadas - um espaço perdido para a cidade.
Há 3 décadas atrás, no edifício onde hoje funciona a Polícia Municipal, funcionava, há falta de espaços de ensino, os 10º, 11º e 12º anos de escolaridade. Milhares de jovens estudantes desaguavam no Parque D. Maria II no intervalo das aulas. Um bulício de gente jovem, um fervilhar de cor, de alegria, de movimento. O parque tinha vida.
Para voltar a ter essa vida, há que levar gente para aquela zona, reabilitar edifícios, instalar serviços (não os de polícia), restaurar o teatro (uma âncora decisiva para devolver o parque à cidade), estimular o mercado da restauração e hoteleiro (em tempos houve ali uma típica pensão).
Mas também concertar ideias e estratégias com o Museu Abade Pedrosa, com a Escola Agrícola e com a Paróquia. Só assim se pode dar um renovado lustro a um dos mais importantes ex-líbris da cidade.

Autor: Pedro Fonseca
In: Jornal "Entre Margens"
Data: 10 de Setembro de 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A (des)Ordem

No dia 1 de Outubro, o Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto, esteve em Santo Tirso como orador na cerimónia de comemoração do Centenário da República, organizada pela Junta de Freguesia, pela Associação Cívica "AMAR Santo Tirso" e pela Escola Secundária Tomaz Pelayo.
Marinho e Pinto não é uma personalidade qualquer. Muito do largo espaço mediático de que dispõe deve-se, é certo, à sua forma polémica e provocadora de intervir, mas o que diz, concorde-se ou não, mexe com o "pantâno" em que nos vamos mantendo mais ou menos à tona.
Naquele dia, naquela hora, naquele local, era, e assim foi anunciado, o Bastonário da Ordem dos Advogados que estava presente, líder nacional de uma classe profissional com evidente peso social e político.
O auditório engº Eurico de Melo estava muito bem composto, para uma sexta-feira à noite, início de um fim-de-semana prolongado, sempre circunstâncias disuassoras da participação cívica.
Apesar disso, aponto uma falta grave, com o desprendimento de não pertencer à classe nem, consequentemente, à Ordem dos Advogados: a ausência de um representante da delegação concelhia da dita Ordem.
Admito que o Bastonário o tenha registado ou para esse facto tenha sido alertado. Tal não o impediu de ter feito uma prolongada e marcante intervenção, ao seu estilo, abrindo ainda espaço de debate. E quando os relógios caminhavam para a 1 hora da madrugada, pediu desculpa por não continuar porque tinha de regressar a Coimbra.
Sublinho esta ausência institucional da delegação tirsense da Ordem - cujos responsáveis não conheço - para notar que os cargos ou funções a que as pessoas voluntariamente se candidatam não se destinam apenas a responder a impulsos de vaidade pessoal ou a alcançar outros patamares de prestígio social.
Um cargo institucional tem direitos, mas tem fundamentalmente deveres, entre os quais o de representar a instituição e os seus membros, pelo menos, nos momentos mais solenes e significativos. Quem não o entender presta um mau serviço à instituição e aos membros. Deve, por isso, assumir que se enganou ao candidatar-se ao cargo e abrir caminho a quem tenha uma maior disponibilidade cívica e respeito institucional.
Em contraponto, não posso deixar de assinalar e aplaudir a presença nesta iniciativa de alguns dos mais reconhecidos e prestigiados advogados da nossa praça: Gonçalves Afonso, Alcindo Reis, José Fernandes, Azuíl Dinis; ou outros, mais novos, como Paulo Ferreira, Teresa Polónia, Artur Abreu, Manuel Mirra, Manuel Marinho, Joaquim Souto, Fernando Vale e Isabel Mendes (peço desde já desculpa por algum esquecimento). Nem tudo está "podre" no Reino da Dinamarca.

Autor: Pedro Fonseca
in Jornal "Entre Margens"
Data: 28 de Outubro de 2010